São Paulo - dicas de passeios curtos




Como diz uma amiga minha paulistana: somos caipiras, então qualquer ida a São Paulo é viagem... Brincadeiras à parte, gostamos sim de ir de vez em quando para a capital para alguns passeios, já sabendo que 1) provavelmente haverá fila para entrar, seja o que for, seja que dia for; 2) o estacionamento, se houver, será um pequena fortuna e 3) dificilmente vamos conseguir fazer mais de um passeio no mesmo dia, a não ser que sejam em locais bem próximos. 
Um bom exemplo disso tudo aconteceu há uns 15 dias: fomos num evento no Jóquei Clube e depois na exposição The Art of the Brick (aquela das esculturas feitas de lego) no Ibirapuera. Gastamos muito tempo tentando estacionar próximo ao Jóquei, não conseguimos e acabamos pagando R$30 pra parar o carro lá dentro. Por pouco não gastamos mais tempo fora que dentro, e pra nossa sorte no evento havia várias opções para comer, pois àquela altura estávamos os 5 com muita fome. De lá seguimos para a Oca ver a exposição (por sinal, fantástica, tem várias fotos no nosso Instagram). Eu havia comprado os ingressos pela internet, e foi bem tranquilo pra entrar. Dessa vez conseguimos combinar dois passeios numa única ida, então o saldo foi super positivo!
Já fizemos uns passeios mico, como ir no último dia da bienal do livro com um bebê de 6 meses ou ao zoológico num feriado, mas também descobrimos que andar na Paulista no domingo de manhã é uma delícia, especialmente a 2, pois assim podemos fuçar todas as lojinhas e feirinhas com calma. Melhoramos um pouco com o tempo e o número de filhos... 
Para passeios com os malinhas gosto muito de consultar o Bora Aí, com dicas super atualizadas e interessantes.
Sentimos saudades do Museu da Língua Portuguesa, que está fechado desde dezembro por conta de um incêndio. Já havíamos ido duas vezes lá, e é realmente triste que não haja previsão de reabertura.


Segue então uma listinha de 7 passeios legais que já fizemos e nossas impressões.


1- Aquário de São Paulo (www.aquariodesaopaulo.com.br)
Já fomos duas vezes, as duas com bebê de colo. Antecipo que o preço é salgado (veja no site, atualmente R$ 80 o ingresso para adulto), que fica super cheio em feriados, mas aquário é aquário e os malinhas sempre amam peixes e sereias e tubarões e tudo o mais do universo aquático. Eles fazem promoções com certa frequência - então, se você se planejar e comprar com antecedência pode sair bem mais barato que comprar na hora. Lembro que na segunda vez que fomos era um feriado de carnaval e compramos os ingressos pelo site, numa promoção de feriado. 
Não se iludam achando que por ser feriado a cidade estará vazia - um monte de gente vai ter a mesma ideia de passeio que você, então se prepare, principalmente se for do interiorrrrr como nós e não estiver acostumado com filas e multidões.
Na primeira vez que fomos Malinha #1 tinha pouco mais de 1 aninho e levamos o carrinho, o que foi um erro de cálculo - embora a entrada de carrinhos de bebê seja permitida e os corredores largos o suficiente. Mas tinha muita gente e o carrinho acabou sendo um trambolho que só servia para esbarrar nas pessoas, Malinha #1 preferiu ficar zanzando sozinha e a última coisa que queria era ficar nele. Na segunda vez Malinha #2 era bebê e já sabendo das dificuldades com o carrinho preferimos levá-lo no canguru - ainda bem, porque estava ainda mais lotado que da vez anterior.
O lugar é muito legal e pensado para encantar crianças de todas as idades, sempre com atrações diferentes (da segunda vez que fomos tinham acabado de colocar uma sereia nadando em um dos aquários), tem a parte das ossadas de dinossauros, outra com pinguins, outra com morcegos e por aí afora. Especialmente na nossa segunda visita o lugar estava muito lotado, tornando meio difícil para os menores ver as atrações - o que pode irritar um pouco as crianças. Além disso, o ar-condicionado não estava dando conta e em alguns locais estava muito quente, a ponto de incomodar mesmo. Também por estar cheio a lanchonete estava lotada e foi um custo achar um lugarzinho para sentar. Pelo preço da entrada acho que não deveria haver esse tipo de problema.
O local tem estacionamento (pago), mas paramos na rua nas duas vezes em que fomos. 





2- Pinacoteca do Estado (www.pinacoteca.org.br) e Parque da Luz
Programa ótimo mesmo pra quem não entende patavina de arte (como nós!). Só pelo prédio, que é lindo de morrer, já vale a visita. O ingresso é super barato (e de sábado é de graça), e sempre tem exposições interessantes - quando fomos uma das mostras era de pintura chinesa, nossa Malinha #1 adorou! Se você se preocupa que as crianças vão querer mexer em tudo, leve-as direto para a Galeria Tátil, pensada para deficientes visuais e onde é liberado colocar as mãos nas obras. Certeza que vão adorar, até para os adultos é uma experiência interessante. Acabei de ver que parte do acervo do Museu do Ipiranga (que está fechado para obras) está numa mostra lá na Pinacoteca... acho que vale a pena mais um visita...
Dentro do prédio tem um restaurante bem gostoso, o que evita procurar um lugar pelas redondezas, e ao lado fica o Jardim da Luz, que inclusive conta com várias esculturas pertencentes ao acervo da Pinacoteca.
Esse parque, colado à pinacoteca, é tombado como patrimônio histórico desde a década de 80, e é lindo! Cheio de esculturas, com muito verde e caminhozinhos para a criançada correr à vontade. Apesar da localização - e eu confesso aqui meu preconceito e meu medo de encontrar viciados em drogas e mendigos, bem numerosos do lado de fora - dentro do parque só havia famílias, muitas crianças e idosos. Os malinhas adoraram correr livres por ali.
A Estação da Luz fica ali em frente, um prédio também lindo e muito antigo, e ao lado ficava o Museu da Língua Portuguesa - fechado por causa de um incêndio e sem previsão de reabertura, infelizmente.




3- Museu de Arte Sacra de São Paulo (www.museuartesacra.org.br)
Mais uma opção de passeio barato (R$ 6 o ingresso para adulto) e que dá pra combinar com outro (a Pinacoteca, por exemplo, que é bem perto). Nós fomos a pé do Parque da Luz até lá e depois voltamos de metrô - é uma estação de distância e para os malinhas foi uma aventura!
O museu fica numa casa antiga restaurada, com vários janelões que dão para um pátio central. Nesse pátio tem uma daquelas fontes com anjinhos cuspindo água, os malinhas acharam o máximo. As imagens barrocas, cheias de detalhes sangrentos, impressionaram os pequenos (eu particularmente não sou muito fã também). Todas as peças do acervo possuem explicações detalhadas, muitas delas provenientes de igrejas antigas, e há também exposições específicas - nesse caso melhor consultar o site pra ter mais informações. Ao redor do museu há uma área verde considerável, e uma capela com missa em determinados horários.
Passeio tranquilo e bem agradável, que dá pra combinar com outros, só é preciso tomar um pouco de cuidado com os menorzinhos pois não é permitido tocar em nenhuma das peças.




4- Instituto Butantã (www.institutobutanta.com.br)
serpentário
Esse é um clássico para se levar a criançada - afinal, qual malinha não se interessa por cobras e lagartos? Além de tudo é barato, super tranquilo para todas as idades, fácil de estacionar, tem uma lanchonete que quebra bem o galho numa emergência e gasta-se o tempo que quiser (ou conseguir).
Fomos com Malinha #2 bebê, com carrinho e tudo. Já na frente do prédio da biblioteca fica o serpentário, um local que imita o habitat das cobras e onde é possível vê-las assim, soltinhas (mas bem longe da gente, não se preocupe!).
Museu Biológico
Ali pertinho fica o Museu Biológico, onde paga-se para entrar (R$ 6 adulto), e onde dá pra ver aranhas, lagartos e outros bichos peçonhentos. Bem interessante também.
pHmetro antigo no Museu
Histórico
Um pouco mais à frente fica o Museu Histórico, um prédio que abriga antigos equipamentos utilizados em pesquisas, principalmente químicas e físicas. Muito legal pra quem tem alguma familiaridade com os equipamentos atuais e para as crianças maiorzinhas que já tenham algum contato com laboratórios na escola. Marido e eu, ambos engenheiros (apesar de não trabalharmos com pesquisa), achamos o máximo. Ainda nesse prédio dá pra ver uma parte do piso e da parede originais do laboratório de pesquisa que ficava ali.
Por último, fomos no Museu de Microbiologia (também pago), onde fica uma exposição permanente de equipamentos e painéis com representação de microrganismos. Há microscópios onde pode-se observar os bichinhos e um monte de explicações assustadoras sobre eles. Muito legal para introduzir as crianças nesse universo! Eu sou meio impressionável e fico meio apavorado de imaginar aquela bicharada toda solta por aí, ou pior, dentro no nosso próprio corpo... 



5- Sala São Paulo (www.salasaopaulo.art.br)
Sou apaixonada por esse lugar, tão lindo e imponente! Já fomos duas vezes, uma num show do Palavra Cantada junto com a orquestra sinfônica do Estado (OSESP), e outra num show da Adriana Calcanhoto, em sua persona infantil Adriana Partimpim. 
Da primeira vez ficamos na parte superior, de onde é possível ter uma visão panorâmica da sala, mas é meio tenso para segurar as crianças por ser muito alto - Malinha #1 era pequenininha então não dava pra descuidar. Na segunda vez compramos ingressos para a parte de baixo, próxima ao palco, que também não deixa nada a desejar e foi possível deixar os malinhas mais à vontade, além de podermos ver os músicos bem de pertinho.
A sala faz parte do complexo Júlio Prestes, antiga sede da Estação Ferroviária Sorocabana - pelo site é possível agendar visitas guiadas para conhecer todo o edifício e sua história. Hoje o prédio é sede da OSESP e tem uma programação intensa de concertos, inclusive gratuitos. O entorno é meio triste - a famosa "cracolândia" fica ali pertinho - mas é super tranquilo de chegar e a sala conta com estacionamento. Vale muito a pena conhecer!




6- Museu da Imigração (museudaimigracao.org.br)
Outro passeio baratinho e cheio de história. Nesses tempos em que se fala tanto sobre refugiados e países em guerra, é bom conhecer um pouco a história dos imigrantes que vieram para o Brasil no início do século passado, fugindo da guerra, da fome e da pobreza de seus países de origem. Acredito que esse tipo de conhecimento aumenta muito nossa compreensão do drama que é ter que deixar seu país de origem pra tentar a sorte em outro, completamente desconhecido.
O museu fica na Mooca, no prédio onde era a Hospedaria dos Imigrantes - as pessoas vinham da Europa ou do Japão de navio, desciam em Santos e eram levadas de trem até a hospedaria, que funcionava como local de quarentena e triagem para distribuir o pessoal pelas fazendas do interior de São Paulo ou do Paraná.
Dentro do museu há muitas fotos e objetos da época, além de reproduções dos ambientes da hospedaria e explicações detalhadas do dia-a-dia ali e das principais rotas de imigração. Uma das paredes está coberta de sobrenomes de pessoas que imigraram - praticamente impossível não encontrar o próprio sobrenome ou de algum parente próximo. Tem também um acervo digital onde é possível pesquisar, através do nome ou data ou nome do navio, a data em que determinada pessoa chegou ao Brasil. Sem dúvida um mergulho super interessante na nossa própria história, vale a pena conhecer - sou suspeita, já disse que adoro um museu, ainda mais um com temática tão próxima da gente...
O prédio é cercado por um jardim imenso, super bonito, os malinhas adoraram. E apesar de não entenderem exatamente do que se tratava o museu, curtiram ver os objetos antigos e ver um pouco como as pessoas viviam ali.
É bem fácil estacionar do lado de fora e o museu conta com um café para lanchinhos de emergência.



7- Templo Zu-Lai (www.templozulai.org.br)
Nós adoramos passeios que nos levem a conhecer culturas diferentes, e esse sem dúvida é um deles. Para os que nunca tiveram contato com religiões não-cristãs é a oportunidade perfeita de conhecer um pouquinho. O templo é budista e na verdade não fica em São Paulo, e sim em Cotia - um pouco mais longe dependendo do seu ponto de partida. Oferece cursos de budismo, oficinas de filosofia budista, tem museu e biblioteca lá dentro, e mais um monte de coisas explicadas no site. Mas dá pra simplesmente visitar, como nós fizemos.
Logo de cara aquele monte de imagens de budas sentados, já é uma paisagem diferente! Malinha #2 era ainda um bebê, mas Malinha #1 adorou andar por ali, subir até a parte mais alta onde fica o templo em si, correr por entre as imagens, tudo muito bem cuidado e novo aos nossos olhos. Adoramos e queremos repetir!
Ao final do nosso passeio almoçamos por lá mesmo, há um restaurante vegetariano sem frescuras e bastante barato aberto aos visitantes. Nada que me faça salivar quando lembro, mas combina com o lugar - sem carne, ambiente austero e muito simples.
Passeio fácil, interessante e sem custo, recomendo com ou sem crianças.




E é isso! Tem milhares de coisas pra fazer em São Paulo, muitos outros museus e lugares interessantes, mas esses foram os que já fizemos e recomendamos. Adoraria receber recomendações de outros passeios, entrem em contato!

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